Piero Sbragia
O jornalista Piero Sbragia não é Guimarães Rosa e nem Forrest Gump. Comum entre os três é o fato de serem apaixonados pela arte de contar histórias...

Publicado em: 23/11/2010

Feche os olhos e sinta

 

 

 

Foram três horas e meia dentro de um ônibus, duas horas dentro de um carro no trânsito caótico de SP e trinta minutos de caminhada. Cansaço? Passou longe...

 

"Você é louco, podia ter visto de casa, sentado no sofá!" Meu pai, incrédulo, não imaginava que assistir o show de um Beatle pode sim mudar a vida das pessoas.

 

Vida... Um dia na vida de qualquer pessoa é testemunhar uma série de sapos engolidos, frustrações, decepções... Motivos para desanimar não faltam...

 

Durante mais de três horas eu fiquei ali, de boca aberta, me perguntando como pode alguém aos 68 anos esbanjar vitalidade, jovialidade... Esse sim sabe qual o verdadeiro significado da vida!

 

Paul olhou pra mim (sim ele olhou) e pra você também... Ele me disse que vale a pena acreditar no ser humano. Aliás, ele não foi o único... Cada suor que ele derramava na abafada noite do dia 22 de novembro de 2010 transformava cada uma das 60 e tantas mil pessoas, ou melhor, testemunhas, do dia em que "eu" nunca mais serei o mesmo.

 

O mistério da transformação já foi anunciado na abertura do show, "Magical Mistery Tour" simbolizou o Flower Power revolucionário. "All My Loving" despejou boas vibrações até para uma estátua de gelo. A letra sufocante e o clima de melancolia de "The Long and Winding Road" anunciava aquilo que eu temia ser o maior pecado do ser humano: guardar mágoas.

 

Me diga, como é possível alguém ficar triste? Qual a origem da tristeza? Temos tantas coisas bonitas para contemplar, temos o mistério da vida... "My Love", composta para o grande amor da vida de Macca, me tocou pela humildade. Não precisamos gritar para sermos ouvidos. Basta sussurrar... Sussurrar palavras de sabedoria... O que ele acabou fazendo em "Let it be".

 

Voz e violão... Um pássaro e os desafios de voar... "Blackbird" é o desabafo que todos gostaríamos de ter...

 

E antes que eu me esqueça. Aos românticos de plantão, não precisamos dizer "Eu te amo" para, de fato, amar alguém. "Something" é a maior declaração de amor que feita por meio de uma música e a palavra "love" sequer consta na partitura.

 

É difícil viver a vida sabendo que um dia vamos morrer. Portanto, "Live and let die". Sem metáforas. Viva um dia por vez. Viva ao máximo. Aproveito cada segundo. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Faça o que tiver vontade. Não perca tempo!

 

Tudo que você precisa é amar... É fácil...

 

Publicado em: 26/10/2010

Não aguenta?

 

 

"Dizem que durante a vida nós preparamos dois túmulos: o nosso próprio e de nosso inimigo. O meu ainda nem começou a ser preparadao!"

 

Quer frase mais clichê pra começar um filme que tinha tudo para desandar?

 

Pois é, Jonah Hex é mais uma dessas histórias importadas por Hollywood do universo das HQ´s. Além disso, pega carona na temática faroeste, em moda novamente nos cinemas. Fã assumido do gênero, confesso que essa obra me chamou a atenção.

 

Já comecei a olhar com mais carinho quando nos créditos iniciais percebi que toda a trilha sonora do filme foi composta e executada por uma banda de heavy metal melódico (sic). Isso mesmo. Os ogros do Mastodon conseguiram fazer uma obra prima. Unir a temática do velho oeste ao que existe de mais moderno no progressivo industrial. Será um espanto para quem está acostumado a ouvir a banda normalmente. Todas as peças são instrumentais.

 

O roteiro tenta manter o ritmo ágil da história original, escrita em HQ. Alguns recursos dos quadrinhos estão presentes e, por incrível que pareça, não virou mais um filme pós-MTV.

 

Qual o diferencial aqui? O fato do diretor ser experiente na animação! É o cérebro por detrás de clássicos como Procurando Nemo e Toy Story.

 

Numa época em que Hollywood carece de novas ideias, pessoas com a habilidade de reconstruir e desconstruir paradigmas ganham espaço.

 

A interpretação de Josh Brolin é outro ponto forte. É a nova promessa de Hollywood. Se bem que é macaco velho... Quem não se lembra dele nos Goonies...

 

É inevitável terminar de assistir esse filme e não traçar um paralelo com nossas vidas. Vale a pena ir atrás de um objetivo? Vale a pena perseguir e exterminar os fantasmas do passado?

 

A pressão e o stress do dia a dia são engrenagens para virarmos a página da história. Quem não "guenta"... Bebe leite...

 

Chega de nos escondermos por trás das facilidades da vida... Temos que nos desafiar diariamente. Afinal, como diria Raulzito, chega de ficar com a boca escancarada de dentes esperando a morte chegar...

 

Jonah Hex desafiou a morte. E você?

 

Publicado em: 02/10/2010

O passado de volta

 

 


É no mínimo bizarro demais um filme começar com telas azuis e laranjas e de repente um excesso de branco... Da roupa ao cenário futurista... O branco incomoda tanto quanto o personagem principal, fazendo cara de mal e bebendo leite...


O que é isso? Que obra é essa? Pertubadora... A música sombria antecipa o nome de Alex (A LEX, do latim “sem lei”).

 

“Não há mais lei e ordem” grita o bêbado sujo prestes a ser linchado pela quadrilha de delinqüentes, liderados por Alex. Depois, ao som de Rossini, o grupo aproveita para impedir o estupro de uma atriz, em pleno teatro. Afinal de contas, eles são os mocinhos ou os vilões?

 

Esse é o grande paradoxo colocado na obra-prima de Stanley Kubrick, baseada no livro de Anthony Burgess. “Laranja Mecânica” é atual, inovador e resiste ao tempo. Como pode uma obra permanecer jovem depois de décadas? Simples, ela divaga sobre a maior de todas as falhas do ser humano: a maldade!

 

Qual a origem do mal? Onde foi que os filhos de Deus erraram no mundo? Em vez de olhar para trás temos que mirar o futuro. Ainda dá tempo de não repetir os erros do passado?

 

Quando surgem as primeiras notas do segundo movimento da nona sinfonia de Ludwig Van Beethoven, aquela que contém o famoso “Ode à alegria”, percebemos que os 138 minutos do filme vão passar como se fosse uma faca pela superfície do nosso corpo. Incomodando...

 

Tanto quanto a abertura de Guilherme Tell de Rossini, tocada em rotação acelerada enquanto nosso personagem se deliciava com duas mulheres na cama. Alex é a síntese doanti-herói.

 

O verdadeiro líder é aquele que cativa e conquista as pessoas, e não quem impõe, determina ou se mantém pela força. Liderança nunca é imposta, é CONQUISTADA. Exatamente o contrário do que propõe Alex, que teve seu castigo. Foi torturado, tentou suicídio e acabou reprimido pelo sistema.

 

O que se vê durante todo o filme é um festival de referências ao universo POP, de posters do Pink Floyd na loja de discos futuristas à capa de 2001, outro clássico de Kubrick. Quem bebeu muito nessa fonte foi Quentin Tarantino, fã declarado do estilo kubrickiano e de Laranja Mecânica.

 

Fica difícil falar mais sobre o filme sem estragar o fim dele. É minha obra de cabeceira. Um dos dez melhores que já vi. Acreditem: é uma experiência única!

 

 

Publicado em: 19/09/2010

Entre fazer e não fazer, FAÇA!

  

Gandhi certa vez disse que qualquer coisa que nós fizermos na vida será insignificante depois que morrermos, mas é muito importante que a gente faça porque ninguém mais irá fazer pela gente.

 

Novos desafios fizeram com que a proposta de posts diários nesse blog se esvaziasse um pouco, mas pelo menos vou dar uma filtrada melhor nos textos. Pra quem quiser pitacos fresquinhos todos os dias é só me seguir no Twitter. Vamos lá.

 

Confesso que um filme que trás na capa o astro da saga Crepúsculo, pra mim, é evitável ao extremo. Esse cara não dá né. Um pseudo James Dean sem o mínimo de carisma. Mas fazer o quê... Encarei a fita mais pelo Pierce Brosnan, que anda meio apagado ultimamente.

 

O pensamento do líder pacifista indiano permeia todo o roteiro do filme. É mais uma daquelas histórias que destroçam o “american way of life”. Famílias com e sem dinheiro que acabam unidas por duas pessoas, que se atraem justamente por serem incompreendidas.

 

O que é preciso na vida além de carinho, dedicação e amor? Todo o resto é supérfluo. Dinheiro, status profissional, roupas, carros, etc.

 

O final do filme é surpreendente. Vai dar um nó na garganta mesmo. Fica a lição. FAÇA. Prefira pecar por fazer em excesso do que por não fazer.

 

A gente só consegue mudar as pessoas, mudar o mundo, quando percebemos que a verdadeira mudança está dentro de nós. Chega de amarguras, rancores e decepções. Vale a pena apostar no ser humano. Pelo menos naqueles que estão abertos a ser FELIZES!

 

Fica mais uma frase de Gandhi, “de um modo suave, você pode sacudir o mundo!”

Publicado em: 02/09/2010

O certo e o errado não existem mais

 

 

Depois do 11 de setembro houve uma certa resistência a Hollywood em tratar do tema "terrorismo". Especialmente o terrorismo islâmico. Dessa vez, encontraram uma maneira de falar do problema sob um prisma diferente: a ameaça terrorista do título é um norte-americano, nascido na Terra do Tio Sam e sem ascendência árabe. Brilhantemente interpretado por um Michael Sheen inspirado (ele já havia dado mostras do que é capaz em Nixon/Frost).

 

Hoje é praticamente impossível a construção de barreiras, sejam elas culturais ou até mesmo físicas. A da fronteira dos EUA com o México é uma das últimas no planeta...

 

A globalização atingiu um certo grau em que até o certo e o errado paracem se convergir muitas vezes. Tudo depende do ponto de vista. Todos temos boas intenções, todos temos boas idéias. Depende apenas da maneira como usamos elas.

 

Tem uma famosa música dos anos 80 chamada "Don´t Stop Believing", do Journey. "Não pare de acreditar" no que você sente é o segredo para conseguirmos romper as dificuldades que aparecem na nossa frente.

 

Nunca é tarde para percebermos que um problema só é resolvido quando as amarras dentro de nós se desfazem.

 

O fim do filme é apoteótico. A CIA e o FBI acharam que estavam certo... Não estavam! Veja e vai entender por quê.

 

Evitar o erro é presumir que nós estamos sempre aprendendo. Quanto maior o salto maior será a queda.

 

 

Publicado em: 07/08/2010

Para o inferno... com o diabo

  

Enquanto todo mundo falava do diabo e do número da besta no início dos anos 80, uma banda em particular decidiu entrar nesse universo, digamos, místico de uma maneira inusitada. Um quarteto liderado pelos irmãos Sweet decidiu mandar o diabo para o … inferno! Isso mesmo!

 

To Hell With The Devil”, de 1986, é o terceiro disco dos norte-americanos do Stryper. Álbum definitivo de um estilo diferente de Heavy Metal, o White Metal. Conhecido no Brasil como “Metal Cristão”. Desafiando todos os paradigmas eles provaram ser possível passar mensagens positivas no rock, gênero musical “condenado” por muitos beatos...

 

Somente os títulos das músicas já dariam bons sermões: Calling on You (Chamando Você), Free (Livre), Honestly (Honestamente), More than a man (Mais que um homem).

 

O que o Stryper fez foi criar um estilo único, bem próximo ao Power Metal do Helloween. Um metal alegre, divertido, porém com fundamento, com mensagens profundas.

 

Quem é que não chorou ao som de “I Believe in You”, tema da novela Salvador da Pátria no Brasil. Engana-se somente quem achou que o “You” do título era pra uma mulher, na verdade, era pra Deus.

 

Como bons cristãos, o Stryper encontrou poesia na pedra. Encontrou alegria na tristeza. Encontrou a palavra Dele onde todos duvidaram ser possível encontrar.

 

Ou seja, como diz o ditado, “era impossível, até que alguém foi lá e fez”.

 

Publicado em: 21/07/2010

Amar é...

 

 

Os últimos sete dos treze anos já vividos por Adriana foram de uma intensa batalha. Batalha para aprender algo que ela nunca soube fazer. Ela quer aprender a escrever a primeira letra do nome, o "A". Debilitada por uma hidrocefalia, ela não sabe ler, nem escrever. Consegue andar apenas com cadeira de rodas. Praticamente não mexe os braços. Uma vida difícil... Mas não pra ela... Difícil pra nós, que estamos acostumados às mordomias da modernidade.

 

Adriana chegou tímida, com o irmão Guilherme e o pai Luiz Fernando. Ela queria conhecer a redação da TV TEM. Telespectadora da Afiliada Rede Globo no Sudoeste Paulista, é fã número um do TEM Notícias. Ela saiu de Tatuí, onde mora, até Itapetininga para conhecer os apresentadores. "É a realização de um sonho" disse com a voz embargada. Acontece que o sonho dela se tornou uma experiência emocionante também para nós, jornalistas.

 

Acostumado a contar histórias, dessa vez eu apenas ouvi. Exercitei minha capacidade de compreensão. Fiquei intrigado. Queria saber de onde a menina tirava tanta fé... Como ela conseguia se manter firme diante de uma realidade, na minha opinião, muito limitadora...

 

Depois de conhecer todo o processo feito nos bastidores para colocar o TEM Notícias no ar, Adriana resolveu nos presentear. Pois é. A fã se tornou ídolo de todos nós em pouco tempo. Passamos a idolatrá-la pela SENSIBILIDADE, pelo HUMANISMO, pela FORÇA DE VONTADE, pela OBSTINAÇÃO.

 

O presente que recebemos foi uma música linda, cantada praticamente à capela, sem recursos eletrônicos, porém com o maior recurso de todos: nosso CORAÇÃO.

 

Ela cantou... Encantou...

 

Faltam palavras para agradecer a você Adriana a oportunidade única de conhecer de perto a essência mais pura do ser humano: a DOAÇÃO!

 

Hoje você me fez refletir, me fez sentir vivo, me fez acreditar mais uma vez que existem pessoas nesse planeta capaz de mudar não só o mundo, mas também os corações mais amargurados!

 

Ode à alegria, de Beethoven.

Publicado em: 18/07/2010

Pensando em um futuro melhor

 

 

Começo a escrever esse post lembrando das palavras sábias de Nelson Mandela, "o homem que conseguiu driblar o rancor e a vingança pensando apenas no futuro."

 

Como é difícil para o ser humano separar sentimentos negativos tão intrínsecos à escuridão, ao submundo, ao império de Hades, um dos irmãos de Zeus na mitologia. Quantas vezes nos vimos diante de uma situação em que por pouco nào nos tornamos animais irracionais...

 

Pois é a falta de "pensar" o grande calcanhar de Aquiles da humanidade...

 

O remake de Fúria de Titãs, clássico cult dos anos 80, é pura diversão, Hollywood em sua melhor forma. Ótimos efeitos especiais, ótimos efeitos sonoros. E ainda por cima levanta discussões bastante interessantes sobre nosso comprometimento com a lealdade.

 

Entre as comparações com as duas obras, interessante observar que nesse o Pégasus, tradicionalmente branco para a mitologia, é preto, sombrio. Mesmo sendo uma criatura concebida por Zeus. Perseu, o filho semi-humano renegado de Zeus, tem um visual a la "gladiador". E o Olimpo, por incrível que pareça, claramente é uma extensão da Terra, sofrendo inclusive as conseqüências dos distúrbios "terrenos". Voltamos à digressão.

 

Ser leal com os padrões da ética parece ser discurso de político, só que a ética nunca esteve tão distante de nossa vida como nos dias de hoje. Por diversas vezes as pessoas não perdem a oportunidade de puxar o tapete, de falar pelas costas, de ter inveja. A inveja por sinal daria até um post a parte, mas nosso objetivo aqui é outro...

 

Seria descabível imaginar que uma pessoa tão judiada pela vida fosse capaz de tamanha sensibilidade na reconstruçào de uma nação. Nelson Mandela teve hombridade pra isso. Deixou de lado todos os sentimentos negativos acumulados em anos de Aparthaid e pensou no futuro, no bem comum.

 

Perseu também. Nosso herói do filme deixou de lado a ingratidão e o desprezo para se render ao pai. Também pensando por um futuro melhor...

 

É difícil sermos assim também? É difícil termos atitudes mais objetivos e menos dispersivas? É difícil pensar como grupo e não como um?

 

Percebo que muitos problemas não são causados por deficiência ou incapacidade de determinada pessoa, mas sim por falta de pensamento coletivo, falta de motivação por um bem maior.

 

Uma boa equipe não é formada pelos melhores jogadores, um bom filme não é aquele perfeito um todos os aspectos.

 

Nós precisamos mudar essa idéia de que o diferencial está em uma pessoa. O diferencial está sim em uma pessoa, está naquela que pensa pelos outros. E não no umbigo dela.

 

Publicado em: 14/07/2010

A Vitória

 

 

 

Imagine o seguinte: Você leva uma vida correta, paga suas contas em dia, tem uma família feliz, um trabalho que te proporciona muita satisfação... De repente você se encontra diante de uma encruzilhada: tem opções de caminho a seguir... Escolhe uma... escolhe errado... Tudo o que construiu até agora vai por água abaixo!

 

É exatamente essa sensação que os holandeses sentiram depois de perder pela terceira vez uma final de Copa do Mundo. A Espanha fez o gol do título aos 25 minutos da prorrogação, mas podia ter feito muito mais se o juizão não tivesse compactuado com a violência de laranja.

 

Chega a ser humilhante assistir uma partida em que alguns jogadores confundam “jogar firme” com covardia. Nenhuma atleta de futebol espera receber um chute no peito, solada mesmo. Talvez no Kung Fu sim...

 

O que definiu a vitória da “Fúria” não foi essa partida, não foram lances isolados, não foi Andrés Iniesta. A Espanha ganhou por ter tido hombridade, por ter tido perseverança, por ter buscado o gol sempre, por, acima de tudo, não ter tomado gol...

 

Perder de 1 a 0 pra Suíça na estréia foi algo estapafúrdio. Serviu de alerta... Mudou a postura da equipe. Vencedores pensam grande, perdedores pensam pequeno!

 

Isso serve pra gente também. Podemos perder ou empatar, mas quem se contenta com a derrota não deve jogar o jogo. Devemos vencer, ou pelo menos buscar a vitória, sempre!

 

E detalhe: quem é desleal, como os holandeses, sempre fracassa!

Publicado em: 04/07/2010

Lágrimas

 

 

Acabei não conseguindo cumprir minha promessa de "blogar" sobre todos os jogos da Copa do Mundo. Espero que o leitor me entenda, afinal, não tive alívio no trabalho. Perdi muitos jogos por causa da labuta, inclusive trabalhei em alguns do Brasil. "Ossos do orifício" como diz um piadista...

 

Resolvei retomar num momento especial... Achei até que essas primeiras palavras seriam sobre a vaga brasileira na semi-final...

 

O momento não é especial mas não deixa de ser igualmente importante. O que dizer ainda sobre nossa eliminação? O que falar de novo pra não me tornar repetitivo? O que criticar na postura do Chefe Apache e de seus comandados que ainda não foi criticado?

 

Eu sucumbi às lágrimas minutos após o jogo contra a Holanda ter acabado. Estava no carro da TV, voltando pra sede da emissor. Meu primeiro ímpeto foi colocar os óculos escuros. Achei que talvez pudesse esconder meu semblante de tristeza. Foi em vão...

 

Ao saber que meu afilhado de 7 anos estava aos prantos resolvi ligar para acalmá-lo. Na hora me passou um filme na cabeça. Lembro como se fosse hoje do gol do Caniggia em 90 e eu com 8 anos chorando e esmurrando o chão de casa!

 

Ele atendeu e ficamos os dois em silêncio... Por quase um minuto... "Padrinho, nunca mais vou ver o Brasil campeão!" O exagero dele encontra até uma justificativa. Quatro anos pra ele são uma eternidade. Como diria o pai, mais que a metade de tudo que ele viveu até agora.

 

O choro de uma criança me fez perceber o quanto somos individualistas. O quanto não sabemos trabalhar com as diferenças e dificuldades. O quanto deixamos o coletivo engolir nossas qualidades.

 

Quer saber por que a Holanda ganhou? Não foi por causa do Felipe Melo, nem do Dunga e nem do Julio Cesar. A nova Laranja Mecânica derrotou o Brasil simplesmente porque eles souberam impor o estilo de jogo deles independentemente de quem estava do outro lado. Esqueceram que era o Brasil... Jogaram com autenticidade, jogaram como eles mesmos!

 

Lendo a crônica de Luis Fernando Veríssimo no Estadão percebi um paradoxo futebolístico que se aplica às nossas vidas: Quanto mais o conjunto supera o indivíduo, mais ele depende da jogada individual. Ou seja, quanto mais a gente trabalha pro grupo, mais precisamos mostrar o nosso potencial. No mundo moderno não há mais espaço pros acomodados de plantão... Pro famoso “Q.I. (Quem Indica)... Se destaca quem trabalha, quem mostra um diferencial, quem olha pra frente e não pros lados. É aquela velha máxima, “sábios discutem idéias, pessoas medíocres discutem pessoas!”

 

O discurso do Dunga o tempo todo foi de uma Cruzada pessoal contra a Imprensa. Dunga discutiu pessoas, Dunga criou um sofismo, estabeleceu padrões de bondade e maldade que não existiam.

 

Enquanto isso virou as costas para problemas dentro do grupo, ignorou a realidade e se enganou ao pensar que o conceito de “grupo fechado” seria suficiente para ganhar o título.

 

Vencedores sabem conquistar uma vitória mesmo quando a derrota parece iminente. Uma das grande lições de Sun Tzu foi: “para derrotar o inimigo a gente não precisa saber ganhar, temos que aprender a perder. E a partir das baixas que sofremos, usamos o revés para fortalecer o objetivo em comum.”

 

E qual é nosso objetivo? Qual é o seu objetivo?

 

Na vida a gente ganha, a gente perde, mas só deixamos de conquistar nosso objetivo se nos desviarmos no meio do caminho. Vamos passar a discutir idéias, deixamos a discussão de pessoas para as novelas...

 

Vamos ter sabedoria para mudar o resultado! A qualquer hora, a qualquer momento. Vamos vestir a camisa e fazer a diferença! 

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